IMPORTANTE NÃO É O NOSSO DESTINO, PORÉM O QUE DELE FAZEMOS
MIGUEL DE CERVANTES,
“ANTES DE TUDO UM FORTE”
No centro da Espanha, a região chamada La Mancha, parece vazia. Mas para quem leu “Don Quixote de la Mancha”, visualiza naquele lugar as 600 e tantas personagens que aparecem na maior obra literária de todos os tempos.
Ali ainda estão os moinhos de ventos que o cavaleiro tomou por gigantes e contra eles investiu montado em seu velho rocim.
“Lutar contra moinhos de vento” dizemos ainda hoje quando alguém, com ardor ataca um inimigo imaginário. Este incidente é apenas um entre centenas de outros narrados naquela bíblia de humanismo e também de sabedoria filosófica.
Miguel de Cervantes nasceu pobre em Alcalá de Henares, perto de Madrí. Seu pai era um boticário endividado e por isso foi preso, deixando Miguel e suas duas irmãs, Andrea e Luiza, passarem fome. Fugindo da pobreza, aos 22 anos, Miguel resolveu assentar praça no exército espanhol, aquartelado na Itália. Assim passou, pela primeira vez em sua vida, a comer regularmente e a vestir-se bem e limpo.
Os anos passados na caserna dão colorido a muitas páginas da sua monumental obra e na velhice, as recordações do bom vinho italiano e da companhia de belas mulheres.
E conheceu também a guerra. Em 1571, uma poderosa esquadra turca do Sultão Selim II, singrava o Mediterrâneo para invadir a Itália e destruir Roma.
A armada espanhola sob o comando de D. João d’Áustria, meio-irmão de D.Felipe II partiu para deter os navios turcos. Num desses navios, estava o jovem Miguel de Cervantes.
Em Lepanto, na costa grega, deu-se o confronto entre as duas esquadras. Morreram 8.000 cristãos e 25.000 turcos Alguns infantes disseram ter visto a Nossa Senhora do Socorro ajudando os feridos e entre eles, Miguel de Cervantes que além de atacado de malária, levou um pipoco na caixa dos peitos e teve o braço esquerdo estraçalhado com um tiro a queima-roupa. Assim mesmo abordou um navio turco e lutou sem cessar.. Foi a hora maior da Espanha e a mais gloriosa de Cervantes.
Em 1580 beijou novamente o solo espanhol e descobriu como o mundo esquece depressa um inválido da guerra. Passou, então a escrever a sua novela, na qual Dom Quixote e Sancho Pansa são os principais personagens e refletem o que somos todos nós: Ora quixotescos com o pé na tábua, ora sensatos com o pé no chão, como seu fiel escudeiro.
E ainda nos ensina que importante não é o nosso destino, porém o que dele fazemos.
Narcides Araujo – leitor inveterado