Álcool Combustível
As usinas nordestinas desenvolveram na década de 30, um programa de utilização do Álcool Anidro como combustível de veículos a motor de explosão. O empreendimento prosseguia favoravelmente e pelas estradas empoeiradas desta região transitavam os famosos modelos T da Ford, o robusto caminhão Chevrolet Gigante e outros veículos da época. Todos movidos a álcool anidro. Lá estavam nas praças do Recife e de tantas outras cidades do Nordeste, as bombas do álcool combustível.
A aceitação do novo combustível prosseguia aceleradamente até despertar a ira da então, poderosa Standard Oil Company, que logo engendrou pronta ação demolidora. Para tanto, maquinou com a companhia inglesa, “ The Great Western Company,” elevar o frete ferroviário do álcool a nível proibitivo,e assim,torná-lo não competitivo com a gasolina de fora. A artimanha deu certo e logo mais, restavam apenas as bombas desativadas.
No início da década de 80, com muito alarde, surgiu o plano denominado “Pro-Álcool “ logo derrubado quando o preço do petróleo desabou . Sem incentivos, o mercado sepultou o plano. Há cálculos que o tesouro nacional perdeu mais de cinco bilhões de dólares com destiladores falidos. Cerca de 50% das destilarias foram abandonadas.
O cenário atual é bem diferente – esgotamento das reservas, comoção em áreas de produção e a premente necessidade de diminuir a poluição do planeta. Tudo sinaliza que, desta vez, a coisa vai. Decisão governamental de substituir o álcool hidratado pelo álcool anidro significaria deixar de transportar água. Isto ajudaria o avanço do nosso bio-combustível.
Cabe, contudo, uma advertência: A expansão dos canaviais não deve contribuir para maior êxodo rural e conseqüentemente agravar o desarranjo social. Os indicadores da qualidade de vida em Sapé, PB e Ribeirão Preto, SP, onde o farfalhar dos canaviais é o som predominante, é um diagnóstico doloroso e incontestável. Que o Pro-Álcool não se torne a anti-reforma agrária.