Memórias e Talentos

Retrato de um Amigo – Gustavo Cesar

Email recebido de Gustavo Cesar, jovem colega de trabalho e amigo de Seu Araújo
Outubro, 2013

De: “Gustavo Sousa” <gustavocesars@hotmail.com>
Data: 10/10/2013 07:18
Assunto: Re: Mensagem respondida pelo seu hotmail
Para: “Antonio Jorge Araujo” <ajorge@ajaconsultoria.com.br>

Antônio, 

Seu Pai além de meu colega de trabalho foi um grande amigo. 

Sr. Araújo tinha um grande orgulho de seus filhos e netos. Frequentemente, ele relembrava histórias sobre o início da sua faculdade e os primeiros passos de Maurício na universidade. Sua generosidade era tanta que deu o carro aos filhos e passou a andar de ônibus. Certos detalhes me trazem vivas lembranças da nossa convivência diária, especialmente de quando eu sentava ao seu lado.

Seu chá da manhã, sempre quentinho e sem açúcar, seu bocejo com Agua Rabelo, seus papeis, muitas vezes eu perguntava Sr. Araújo porque o senhor guarda tanto papel e ele dizia que na sua infância existia escassez de papel e por isso seu apego por tantas “folhinhas”. Um homem de grande coração, ajudava o instituto de cegos de PE, ajudava outros funcionários do Grupo e ninguém nem imaginava, acredito que nem vcs da família. Ele adorava contar suas historias de sua infância no engenho, falava com saudosismo de seus irmãos. Na época de venda de frutas no transito, adorava um caju, pinha, goiaba, lichia, gostava de chupar no escritório e cortar com sua faca de estimação enrolada num guardanapo. As sementes de pimenta biquinho e suas sementes de jerimum, tantas são as recordações, muitas vezes ele chegava bravo com alguma coisa, chegava calado e aí a gente brincava e conseguia tirar de seu rosto um sorriso. Falava do sonho de construir uma casa no clube de campo canto Alegre.  Gastou o dinheiro de um carro com os novos dentes, ele dizia. Sempre foi fiel aos Tavares de Melo, adorava ser solicitado para realizar alguma tarefa ou para pesquisar alguma coisa para Dr. Vínicio TM, uma vez ele conseguiu mudas de ginkgo biloba, achei incrível e ele mas ainda. 

Seu chapéu branco para proteger a careca e os sinais, tinha muita preocupação com eles, sempre usava camisa de manga longa para proteger os braços. Tinha uma sensibilidade muito grande para o meio ambiente (ecologia), prefiro andar de ônibus. 

Sua risada ainda tenho na lembrança, quando sorria fechava os olhos, tinha uma gargalhada gostosa.  

Se adaptou muito bem as mudanças tecnológicas de sua tempo, tirou de letra. Todos gostavam de Sr. Araújo e muitos tem uma bela história para contar dele, poderia dar um livro. Nesse momento estou colocando meu filho recém nascido para dormir e os olhos lacrimejam. Pessoas como Sr. Araújo nao se enterra, se planta. 

Um dia ainda darei um grande abraço no meu velho amigo.

Fiquem com Deus.

Gustavo Cesar