Plantado para Sempre em Meu Coração – Gustavo Cesar
Maio.2025
Conheci o Senhor Narcides Andrade de Araújo, carinhosamente chamado de Seu Araújo, em maio de 2001, no Grupo Tavares de Melo. Iniciei minha trajetória como estagiário no departamento de comércio exterior e tive a honra de dividir a mesa com ele por cinco anos, separados apenas por uma impressora. Meu trabalho inicial era apoiá-lo nas exportações da extinta Sacoplast, onde ele era responsável por toda a operação de exportação e importação. Ter o privilégio de acompanhá-lo diariamente na área de comércio exterior foi um marco na minha vida pessoal e profissional. Seu Araújo tinha grande acesso às empresas que prestavam serviços ao Grupo GTM, Receita Federal, e era muito respeitado por todos.
Sr. Araújo era extremamente organizado com a documentação de suas operações, sendo um exemplo de meticulosidade e capricho. Ele sempre teve paciência em explicar tudo, à sua maneira, mas com maestria e dedicação. As atividades que realizávamos juntos me ajudaram nos trabalhos da faculdade e dentro do Grupo. Esses feitos foram fundamentais para minha efetivação em 2002. Ele, de fato, endossou minha contratação para fazer parte da equipe.
Seu Araújo era um grande contador de histórias, sempre de bom humor e com uma risada peculiar. Compartilhava memórias de sua infância e juventude no interior, incluindo histórias do Ginásio Pernambucano, onde jogava bola. Orgulhava-se de ser um pai exemplar, contando com entusiasmo como deixou um carro para seus filhos irem e virem da faculdade quando passaram no vestibular. Falava frequentemente e com carinho de seus netos, especialmente de Artur, revelando-se um avô amoroso e dedicado. Sempre foi um bom marido, e achávamos engraçado quando ele chamava sua esposa de “senhora”; era puro amor e respeito.
Sempre disposto a ajudar o próximo, Sr. Araújo contribuiu silenciosamente para o bem-estar de muitas pessoas no Grupo Tavares de Melo e apoiou o Instituto de Cegos de Pernambuco por muitos anos, um gesto inestimável. Seu espírito generoso continuou a frutificar mesmo após sua partida, com as sementes de jerimum.
Ele tinha uma peculiar afeição por papel, talvez devido à falta que sentiu na infância, e suas gavetas estavam sempre cheias de folhas de diferentes tamanhos e qualidades. Gostava de comer bem e comidas saudáveis, apreciava frutas de olhos fechados, explicando que ao desativar um sentido, aguçava os outros. Sempre gostou de um chá, tendo sua caneca reservada na copa, vigiada por Dona Zélia, a copeira do Grupo. Gostava também de bocejar Água Rabelo, que considerava ótima para a saúde. Era notável seu hábito de passar a mão na cabeça, com seus poucos cabelos, sempre chegava para trabalhar com muito protetor solar e sua estimável boina, que se tornaram sua marca registrada.
Autodidata em muitas áreas, Sr. Araújo falava inglês fluentemente, além de espanhol e português com rara habilidade.
Pessoas como ele não são simplesmente enterradas, são plantadas e continuam a multiplicar-se, fazendo o bem até hoje.
Tenho orgulho de ter sido seu amigo. Conviver com ele todos esses anos foi um presente de Deus, e compartilhar experiências no início da minha carreira profissional me tornou um homem mais forte e feliz. Seu amor pela família foi um exemplo para minha vida, refletindo um homem de bem e de família. A primeira geração dos Tavares de Melo e as gerações seguintes tinham um respeito e admiração profundos por ele, algo bonito de se ver.
É uma alegria poder contribuir com esta mensagem para um amigo que plantou sua semente em meu coração para sempre. Sr. Araújo está mais vivo do que nunca, presente nos corações de pessoas especiais. Um abraço, meu amigo!