Memórias e Talentos

O Valor de Cada Folha – Anderson Augusto

Maio.2025

Antes de trabalhar diretamente com o Sr. Araújo no GTM, eu trabalhava num restaurante localizado no 3º andar do mesmo prédio onde ele ficava. Todos os dias, na hora do almoço, ele chegava com um saquinho de frutas. Quando eu perguntava se iria almoçar, ele respondia que já havia trazido sua refeição. Ao abrir o pacote, eu sempre me surpreendia: um dia era laranja-cravo, no outro, lichia, no seguinte, sementes de jerimum assadas, entre outras frutas que já não me recordo. O curioso é que, às vezes, ele aceitava almoçar no restaurante, mas apenas quando se esquecia de comprar sua fruta ou não tinha tempo.

Lembro-me de perguntar a ele: “Só essa fruta já o deixa satisfeito?” E ele respondia que sim, explicando que não precisávamos comer tanto quanto algumas pessoas achavam necessário. Infelizmente, não me recordo de todas as nossas conversas, mas sei que escutá-lo era sempre uma experiência de valor incalculável.

Outro episódio marcante aconteceu quando já trabalhávamos juntos no GTM. Um dia, ele me viu na sala da xerox amassando algumas folhas porque a impressão havia saído com má qualidade. Então, ele se aproximou e perguntou: “Sabe quantas árvores são derrubadas para produzir essas folhas que você está desperdiçando?” Em seguida, fez outra pergunta: “Essas cópias que você está tirando poderiam ser feitas em folhas já utilizadas de um lado, como rascunho?”

Fiquei sem resposta e reconheci meu erro. Mas, como sempre, ele me trouxe um ensinamento com sua sabedoria única:

“Não faça mais isso. Já pensou quantas folhas são jogadas fora aqui todos os dias? Se essa empresa fosse sua, o que você faria? Sempre trabalhe como se a empresa fosse sua, zelando por tudo e evitando desperdícios sempre que possível.”

Até hoje, carrego comigo esse ensinamento.