O Amor nos Pequenos Gestos – Ana Lúcia
Maio.2025
Quando eu era pequena, confesso que tinha medo do meu tio Narcides. Achava ele muito sério, calado, olhava para mim por cima dos óculos. Ia lá em casa, de vez em quando, chegando de bicicleta. Mas, com o tempo e a convivência, fui descobrindo o coração generoso que ele tinha e o amor pela minha mãe, tias Zeta e Nilda e por nós, sobrinhos.
Uma coisa que me recordo é que achava engraçado de tio Narcides, é que ele com certa frequência chegava para amolar as facas, amolava tanto, que mamãe não deixava ninguém usar com medo de que alguém cortasse o dedo! Outra coisa que era bem dele: descascava laranjas e deixava todas na geladeira, prontinhas para a gente comer. Eu amava! E as sementes de jerimum torradas? Ele fabricava e levava um montão para nós.
Mas o melhor de tudo eram as histórias que ele contava. Ô tio para inventar coisas! A gente ria demais, porque ele falava tão sério, e com tanta convicção que parecia verdade. Eram histórias mirabolantes, e que ríamos muito.
Com a partida dele, essas lembranças ganham um valor ainda maior. São pequenos gestos que mostram o quanto ele nos amava, do jeito simples e especial dele.